Fiat Uno: diferenças entre revisões

Origem: Wikimotorpedia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
(Criou nova página com '{{Info/Automóvel | nome = Fiat Uno | imagem = Fiat Uno grey.jpg | imagem-tamanho = 300px | legenda =...')
 
Sem resumo de edição
 
Linha 1: Linha 1:
{{Info/Automóvel
{{Info/Automóvel
| nome                      = Fiat Uno
| nome                      = Fiat Uno
| imagem                    = Fiat Uno grey.jpg
| imagem                    = Fiat Uno 1.4 Way 2015 (20359284483).jpg
| imagem-tamanho            = 300px
| imagem-tamanho            = 300px
| legenda                  =  
| legenda                  =  
| construtor                = [[Fiat]]
| construtor                = [[Fiat]], grupo [[Fiat Chrysler Automobiles]]
| matriz                    =
| matriz                    = {{ITAb}} [[Turim]], [[Piemonte]], [[Itália]]
| aka                      =Tofas Uno
| aka                      = Fiat Mille
| produção                  = Europa [[1983]]-[[1993]]<br />Brasil: [[1984]] - presente
| produção                  = Europa: [[1983]]-[[1993]]<br />Brasil: 1ª geração [[1984]]-[[2013]]<br />2ª geração [[2010]]-presente
| montagem                  =
| montagem                  = {{BRAb}} [[Betim]], [[Minas Gerais]], [[Brasil]]
| antecessor                = [[Fiat Mille]]
| antecessor                = Brasil: [[Fiat 147]]<br/>Europa: [[Fiat 127]]
| sucessor                  =[[Fiat Punto]] (Europa)
| sucessor                  = Brasil: [[Fiat Palio]] (1ª geração)<br>2ª geração ainda em produção<br>Europa: [[Fiat Punto]]
| classe                    =Compcacto
| classe                    = Compacto
| tipo de carroçaria        = [[Hatchback]]
| tipo de carroçaria        = [[Hatchback]]
| protótipo                =
| protótipo                =
| layout                    =  
| layout                    =  
| plataforma                =Fiat Panda
| plataforma                = 1ª Geração (Brasil): derivado do [[Fiat 147]]<br/>1ª Geração (Europa): Plataforma ''Tipo Uno''<br/>2ª Geração: Plataforma ''Economy''. Ver: [[Fiat Panda]]
| motor                    = Fire 1.0 Evo 8V Flex<br />Fire 1.4 Evo 8V Flex
| motor                    = Fire 1.0 Evo 8V Flex<br />Fire 1.4 Evo 8V Flex
| caixa de velocidades      = 5 marchas, manual
| caixa de velocidades      = 5 marchas, manual
Linha 28: Linha 28:
| velocidade máxima        =149 km/h gasolina / 151 km/h etanol (Way 1.0)<br />170 km/h gasolina / 172 km/h álcool (Attractive)<br />170 km/h gasolina / 172 km/h etanol (Sporting 1.4)<br />151 km/h gasolina / 153 km/h álcool (Vivace)<br />165 km/h gasolina / 167 km/h álcool (Way 1.4)
| velocidade máxima        =149 km/h gasolina / 151 km/h etanol (Way 1.0)<br />170 km/h gasolina / 172 km/h álcool (Attractive)<br />170 km/h gasolina / 172 km/h etanol (Sporting 1.4)<br />151 km/h gasolina / 153 km/h álcool (Vivace)<br />165 km/h gasolina / 167 km/h álcool (Way 1.4)
| capacidade do depósito(l) =  
| capacidade do depósito(l) =  
| modelos relacionados      =[[Fiat Prêmio]]
| modelos relacionados      = [[Fiat Prêmio]]<br/>[[Fiat Elba]]<br/>[[Fiat Fiorino]]  
[[Fiat Elba]]  
| modelos similares        = [[Fiat 147]]<br/>[[Chevrolet Chevette]]<br/>[[Ford Fiesta]]<br/>[[Renault Sandero]]<br/>[[Fiat Palio]]<br/>[[Volkswagen Gol]]<br/>[[Renault Clio]]<br/>[[Chevrolet Celta]]<br/>[[Chevrolet Onix]]
[[Fiat Fiorino]]  
| modelos similares        =[[Fiat 147]]
[[Fiat Tipo]]
[[Fiat Tempra]]  
| desenhador                = Centro Estilo Fiat para América Latina<br />Centro Estilo Fiat da Itália
| desenhador                = Centro Estilo Fiat para América Latina<br />Centro Estilo Fiat da Itália
}}
}}


O '''Fiat Uno''' é um automóvel compacto fabricado pela [[Fiat]], lançado na [[Europa]] em [[1983]]. Foi lançado no Brasil no ano seguinte, e sua nova geração (projetada no Brasil) só foi lançada em 2010, direcionada aos países da América Latina. A versão antiga foi produzida até dezembro de 2013 sendo vendida como [[Fiat Mille]], nome adotado inicialmente em 1990, quando adotou um motor com menos de 1000ccno Brasil.  
O '''Uno''' é um automóvel compacto fabricado pela [[Fiat]], lançado na [[Europa]] em [[1983]]. Foi lançado no Brasil no ano seguinte, e sua nova geração (projetada no Brasil) só foi lançada em 2010, direcionada aos países da América Latina. A versão antiga foi produzida até dezembro de 2013 sendo vendida como '''Fiat Mille''', nome adotado inicialmente em 1990, quando adotou um motor com menos de 1000 cc no Brasil.


== O Uno desde sua primeira geração ==
== Criação ==
Seu projeto começou a ser desenvolvido no final dos [[anos 1970]], fruto de uma competição entre dois centros de estilo europeus, ganha finalmente pela [[Italdesign Giugiaro]], do projetista [[Giorgetto Giugiaro]]. A versão definitiva do Uno foi lançada em [[1983]] na Europa, para substituir naquele continente o [[Fiat 127]]. No ano seguinte, o carro foi lançado no [[Brasil]] com o objetivo de suceder o [[Fiat 147]], trazendo pequenas mudanças em relação ao modelo europeu, como novo capô e a posição do estepe, o qual é localizado no porta-malas do europeu, enquanto no brasileiro fica junto ao motor.
Necessário diante do envelhecimento de seu antecessor, lançado em [[1971]], o Uno chegava  para combater a invasão japonesa em seu segmento de carros pequenos. O projeto começou no final dos [[Década de 1970|anos 1970]] com dois estudos, o 143 desenhado pela equipe de Pier Giorgio Tronville, do Centro Stile Fiat e o 144 pela Italdesign de Giorgio Giugiaro.


Lançado inicialmente em 3 versões (S, CS e SX, a última com apelo mais esportivo), foi inicialmente rejeitado pelos consumidores tradicionais, que não aceitaram o fato do carro ser tão diferente do que era visto pelas ruas, e logo o veículo foi apelidado de “Botinha Ortopédica”. No Brasil o Uno serviu de base para uma família de veículos composta pelo sedan [[Fiat Prêmio|Prêmio]], a Station Wagon [[Fiat Elba|Elba]] e [[Fiat Fiorino|Fiorino]] nas versões pick-up e furgão, sendo o ultimo também vendido até hoje no Brasil.<ref>{{citar web|url=http://www.fiat.com.br/monte-seu-carro/|título=Carros atualmente vendidos pela Fiat Brasil |autor=Fiat|data=|acessodata=11.12.2012}}</ref>.
É um carro de conceito simples e moderno, com [[Motor a explosão|motor]] transversal, tração dianteira e [[Suspensão automotiva|suspensão]] McPherson com [[mola]] helicoidal à frente. Na traseira era usado eixo de torção, também com mola helicoidal. Eleito Carro do Ano na Europa por um juri de 53 [[jornalistas]] no mesmo ano de seu lançamento, logo ganhou novas versões. Já em maio vinha o motor a [[diesel]] de 1,3 litro e 45 [[Cavalo-vapor|cv]]; em outubro era apresentada a versão conceitual Uno-matic 70, com  transmissão de variação contínua (CVT), que se tornaria disponível apenas em 1987 no Uno Selecta.


A reviravolta do Uno começou nos primeiros dias de 1990, através de incentivos fiscais motivou a marca a lançar a versão 1.0 do carro, já produzida para exportação. Era o [[Fiat Mille|Mille]], uma versão depenada, com motor mais fraco que os então existentes e inicialmente apenas com duas portas.
Em abril de [[1986|1985]] nascia o Uno Turbo i.e., em que o motor de 1,3 litro (1.299&nbsp;cm³, e que mais tarde seria trocado por um de 1.301&nbsp;cm³) recebia [[turbocompressor]] e [[injeção eletrônica]], gerando 105 cv. Foi oferecido com painel digital e freios a disco nas quatro rodas. Em junho aparecia o motor Fire, de produção totalmente automatizada, com 1,0 litro (999&nbsp;cm³ e 45 cv) -- um parente do que agora existe no [[Brasil]] atualmente. No ano seguinte era lançado o Uno 70 Turbodiesel, com motor de 1.367&nbsp;cm³ e acabamento externo similar ao do Turbo i.e. O diesel de  aspiração natural era oferecido com 1,7 litro (1.697&nbsp;cm³ e 58 cv).


Essa foi a versão responsável por uma revolução no mercado brasileiro: A busca por veículos cada vez mais econômicos e acessíveis à uma maior fatia de consumidores. E o termo Mille pegou tanto que virou praticamente um novo nome para o veículo anos depois.
Em [[1987]] o Turbo i.e. ganhava catalisador e, um ano depois, freios com sistema antitravamento ([[ABS (freio)|ABS]] em inglês: Anti-lock Braking System). Surgiu também um 75 i.e., com 1,5 litro (1.498&nbsp;cm³, injeção e 75 cv). Em setembro de 1989 o Uno recebia ampla reestilização, com um capô em cunha acentuada, faróis de perfil mais baixo, tampa traseira mais saliente e arredondada e novas lanternas. O Cx baixava para 0,30 e o interior trazia painel mais moderno e ganhos em acabamento e qualidade de construção.


Em 1996, a Fiat ensaiou retirar o carro de linha, pois ele já começava a apresentar o peso da idade em seu desenho. Assim, surgiu o [[Palio]], novo carro global da empresa, com um desenho moderno e com uma farta variedade de versões, que substituíram as mais luxuosas do Uno, como a CS e a 1.6R.
Os motores agora eram o antigo 903, os Fires de 1,0 litro e 1,1 litro (999 e 1.108&nbsp;cm³ este de 56 cv), um 1,4 litro (1.372 de 71 cv) e o conhecido 1,5 litro (1.498&nbsp;cm³). O Turbo i.e. passava a 1.372&nbsp;cm³ e 118 cv e os diesels permaneciam, com a adição de um de aspiração natural de 1,9 litro (1.929&nbsp;cm³ e 60 cv) no ano seguinte. Esse Uno teve numerosas versões e séries e
peciais, como Suite (com bancos de couro e ar-condicionado), Hobby, Rap, Rap Up, Formula, Estivale, Cosy, Seaside, Targa e Brio. O mais rápido era o Turbo i.e. Racing, de [[1992]], com teto solar, bancos ajustáveis em altura, pneus 175/60 e aceleração de 0 a 100&nbsp;km/h em 9sec, com velocidade maxima de 192,06&nbsp;km/h.


Entretanto, isso não foi suficiente para retirar o veículo de linha. Assim, o Uno continuou existindo somente em suas versões 1.0, que anos após anos recebiam novas nomenclaturas (SX, EX, Young, Fire) e pequenas mudanças na grade (curiosamente, em todos anos entre 2002 e 2008 a grade mudava).
A produção italiana do Uno foi encerrada em [[1995]], dois anos após o lançamento do [[Fiat Punto|Punto]], com um total de 6.032.911 unidades fabricadas. Mas permanecia na [[Polônia]], com motores de 999&nbsp;cm³ (45 cv), 1.372&nbsp;cm³ (69 cv) e diesel de 1.697&nbsp;cm³, que se somaram em [[2000]] ao de 899&nbsp;cm³ e apenas 39 cv. Também continuavam em produção o três-volumes Duna (Prêmio) na [[Argentina]], com motor 1.297 de 72 cv, e o Uno no Brasil.


Em 2004, já consagrado apenas como Mille, o veículo passou por uma reforma visual, considerada polêmica, pois foram adicionados '''cantos arredondados em suas linhas, destoando do desenho quadrado'''. Mas, polêmica a parte, o carro continuou sendo um dos veículos mais vendidos do país consagrados por um bom custo-benefício.
=== Mecânica ===
{{-}}
De início apenas com três portas, mantinha as linhas do modelo italiano, mas com uma importante diferença: o capô envolvia parte dos para-lamas, o que permitia a acomodação do estepe no compartimento do motor como no 147, de maneira a ampliar o porta-malas e evitar o incômodo de ter de descarregá-lo.
<gallery widths=180px heights=180px>
 
Fiat uno.jpg|Fiat uno
Por conta da localização do estepe, a entrada de ar para a cabine precisou ser deslocada do centro, como no original italiano, para a direita, em zona de menor pressão aerodinâmica. Assim, a geração interna acabou não sendo o forte da versão brasileira, devido à menor captação de ar.
Innocenti Mille 1.0i.e..JPG|O Fiat Uno Mille tambem foi vendido na [[Europa]] como [[Innocenti]] [[Fiat Mille|Mille]]
Mesmo assim o Uno representava enorme evolução sobre o retilíneo 147, a começar pela redução do Cx de 0,50 para apenas 0,36—pior que na [[Europa]], pois o modelo brasileiro era 15&nbsp;mm mais alto --, passando pelo conforto de rodagem, segurança ativa e passiva, visibilidade e posição de dirigir, em que o volante assumia posição mais "normal", menos horizontal. No entanto foi, de início, rejeitado por muitos, que lhe atribuíram o apelido de "botinha ortopédica" em função do formato da carroceria bem diferente do que existia até então. O limpador de para-brisa único, curioso já na época, permanece até hoje sem similares em carros nacionais.
Fiat Uno grey.jpg|uno cinza
 
Fiat Uno II back.jpg|esse uno é raro no brasil
[[File:Fiat Uno z boku.jpg|thumb|200px|O Nome '''Uno''' em evidência no carro, indicando que o carro é um modelo antes da reestilização em questão de nome e carroceria.]]
2011 NEC Classic Car Show DSC 2168 - Flickr - tonylanciabeta.jpg|Fiat Uno selecta
 
2011 Fiat Uno 1.4 Attractive.jpg|novo uno.
Outras alterações do projeto original, de ordem mecânica, previam melhor adaptação do carro às condições nacionais de rodagem, além do aproveitamento de componentes do 147. Deste vinham os motores de 1.048&nbsp;cm³ a [[gasolina]] (52 cv, 7,8 m.kgf), para a versão S, e de 1.297&nbsp;cm³ a gasolina (58,2 cv, 10 m.kgf) e a [[álcool]] (59,7 cv, 10 m.kgf), para as versões S e CS. Com desempenho razoável (velocidade máxima entre 130 e 140&nbsp;km/h), tinham na economia de combustível seu destaque.
Fiat Uno SX red hl.jpg|uno 60 sx diesel (modelo não-disponivel no brasil)
 
Fiat Fiorino D pick-up front.JPG|Fiorino esse era a pick up do uno.
O '''Uno''' brasileiro também herdava de seu antecessor a suspensão traseira independente com feixe de molas transversal atendendo os dois lados da suspensão. A Fiat dizia ter constatado em testes que os amortecedores do italiano não duravam mais que 5.000&nbsp;km sob uso intensivo, optando por trocar toda a suspensão. E foi ela a responsável pela mudança no capô que permitiu o estepe no compartimento do motor: não havia espaço para a roda-reserva e sua caixa sob o [[porta-malas]], como entre os braços do eixo de torção do italiano.
Fiat Fiorino Panorama 1.7D.jpg|Esse fiorino panorama é raro no brasil
 
Fiat Uno CSL front.jpg|Fiat uno brasileiro
Se com a nova suspensão o Uno ganhava em robustez, por outro lado perdia em conforto de marcha e continuava, como no 147, a exigir alinhamento periódico das rodas traseiras, sob pena de desgaste prematuro dos pneus e prejuízo à estabilidade. Outra característica desta suspensão era a tendência de tornar a [[cambagem]] mais negativa (rodas mais afastadas no ponto de contato com o solo) à medida que o feixe de molas cedia, por acréscimo de carga ou tempo de uso. Tudo isso seria abandonado no [[Fiat Palio|Palio]], que passaria ao eixo de torção como no Uno italiano.
Fiat Uno 45 5door Blue.JPG|Fiat uno 45 (somente disponivel na europa)
 
Fiatduna.jpg|Fiat Premio o Sedan do uno
A produção do Uno trazia um avanço em relação à do 147. Em vez de 470 operações de [[Prensa hidráulica|prensa]] para construir a carroceria [[monobloco (automóvel)|monobloco]], agora eram apenas 270, redução expressiva que significava também menos [[solda]]s, aumentando a resistência do conjunto.
</gallery>
[[File:Fiat uno.jpg|thumb|200px|Fiat Uno]]
 
== Primeira geração ==
 
Seu projeto começou a ser desenvolvido no final dos [[anos 1970]], fruto de uma competição entre dois centros de estilo europeus, ganha finalmente pela [[Italdesign Giugiaro]], do projetista [[Giorgetto Giugiaro]]. A versão definitiva do Uno foi lançada em [[1983]] na Europa, para substituir naquele continente o [[Fiat 127]]. No ano seguinte, o carro foi lançado no [[Brasil]] com o objetivo de suceder o [[Fiat 147]], trazendo pequenas mudanças em relação ao modelo europeu, como novo capô devido à posição do estepe, o qual é localizado no porta-malas do europeu, disposição impossível no nacional devido ao conjunto de suspensão diferente na versão nacional.
 
Lançado inicialmente em 3 versões (S, CS e SX, a última com apelo mais esportivo), foi inicialmente rejeitado pelos consumidores tradicionais, que não aceitaram o fato do carro ser tão diferente do que era visto pelas ruas, e logo o veículo foi apelidado de “Botinha Ortopédica”. No Brasil o Uno serviu de base para uma família de veículos composta pelo sedan [[Fiat Prêmio|Prêmio]], a perua [[Fiat Elba|Elba]] e [[Fiat Fiorino|Fiorino]] nas versões picape e furgão, sendo o último também vendido até hoje no Brasil, com carroceria baseada no Novo Uno.<ref>{{citar web|url=http://www.fiat.com.br/monte-seu-carro/|título=Carros atualmente vendidos pela Fiat Brasil |autor=Fiat|data=|acessodata=11.12.2012}}</ref>.
 
O início do sucesso do pequeno da Fiat, porém, só começaria em agosto de 1990, quando motores entre 800 a 1000 cm³ tiveram alíquota de IPI reduzida de 40% para 20% pelo governo, o que levou a marca a apresentar, em apenas 60 dias, a versão 1 L do carro, com uma versão do motor Fiasa produzida para exportação. Era o Fiat Mille, versão mais despojada do então modelo de entrada, a versão S, com motor um pouco mais fraco e, inicialmente, apenas com duas portas.<ref>http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/passado/fiat/fiat-uno-a-grande-familia-e-seu-ultimo-rebento/</ref>
 
Essa versão foi responsável pela popularização do automóvel. O Mille virava referência de mercado para os modelos populares.
 
Em 1992 surgem as versões S e CS 1.5ie, dotadas de injeção eletrônica digital monoponto. No caso do Mille, a Fiat lança a versão Electronic, utilizando somente a ignição mapeada, mas mantendo o carburado de corpo duplo da versão Brio.<ref name="bestcars.uol.com.br">http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/passado/fiat/fiat-uno-a-grande-familia-e-seu-ultimo-rebento/5/</ref>
 
Em 1994, a primazia do turbo: primeiro carro nacional produzido em série com turbocompressor de fábrica, tinha motor italiano de 1.372 cm, radiador de ar e óleo, novo câmbio Termoli já lançado em outros modelos da linha Fiat, tinha 118cv e 17,5mkgf de torque. A Fiat oferecia curso de pilotagem aos proprietários.<ref name="bestcars.uol.com.br"/>
 
Previsto para sair de linha em 1996, sobreviveu à chegada do sucessor Palio, porém em versão única de entrada.
 
Em 2002 recebe o eficiente motor FIRE, aposentando o Fiasa.<ref>http://quatrorodas.abril.com.br/carros/testes/conteudo_143666.shtml</ref>
 
Em 2004 recebe um polêmico  face-lift na dianteira e traseira, sendo alterados a tampa e as lanternas traseiras''', '''além da dianteira, que não combinava com as linhas retilínias originais com seus novos faróis, lanternas e grade.<ref>http://quatrorodas.abril.com.br/carros/testes/conteudo_143231.shtml</ref>
 
Em 2008, a Fiat lança a versão Economy, com as novidades: quinta marcha mais longa, pneus de baixo atrito<ref>http://quatrorodas.abril.com.br/carros/lancamentos/conteudo_297791.shtml</ref> e óleo menos viscoso, além de válvulas e bielas mais leves, molas de válvulas menos resistentes, novo coletor de escape e marcha-lenta reduzida de 850 para 750 rpm, além de geometria alterada na suspensão e econômetro no painel, contribuindo para redução de consumo de combustível.<ref>http://www.zap.com.br/revista/carros/ultimas-noticias/fiat-uno-mille-economy-20081118/</ref>
 
== Grazie Mille ==
 
Com a obrigatoriedade do airbag duplo frontal e do sistema de freios antiblocantes (ABS) em 2014, a Fiat decide encerrar a carreira do Mille. '''Mesmo o modelo tendo recebido os acessórios nos modelos para exportação''', a Fiat decide não mais investir em seu automóvel de entrada, e assim decide lançar uma versão de despedida, batizada de '''Grazie Mille''' ("Muito Obrigado", em italiano). O modelo conta com todos os opcionais disponíveis, painel exclusivo com conta-giros no lugar do econômetro, e numeração dos modelos fabricados.<ref>http://www.fiat.com.br/novidades-fiat/carros-e-lancamentos/fiat-apresenta-serie-especial-grazie-mille.html</ref><ref>http://salaodocarro.com.br/previas/fiat-edicao-comemorativa-grazie-uno-mille.html</ref>


== A criação do ''Novo Uno'' ==
== A criação do ''Novo Uno'' ==
Em 2010,  surgiu o Novo Uno. Uma geração totalmente nova que procurava ser uma releitura da geração anterior, adotando o conceito de “Rounded Square”, tendência de estilo já adotada por veículos como o [[Kia Soul]] e o [[Scion xB]], esse último inexistente no Brasil. O objetivo dessa nova geração, que veio para conviver com a antiga, foi o de rejuvenescer o nome, tornar o carro mais atraente para o público jovem, dando a ele um apelo mais esportivo e juvenil, enquanto a geração antiga é mais focada nos consumidores racionais, que precisam de um robusto meio de transporte. O [[Fiat Mille]] seguiu em linha como uma opção mais barata até 2014, quando a lei que obrigou a presença do airbag duplo e dos freios ABS nos veículos produzidos no Brasil passou a valer. O Mille será substituído por um novo compacto a ser projetado pela Fiat, e o Uno seguirá em linha naturalmente.
[[Imagem:Fiat Uno 1.4 Vivace 2014 (14411914451).jpg|thumb|200px|Novo Uno]]
Em 2010,  surgiu o Novo Uno. Uma geração totalmente nova que procurava ser uma releitura da geração anterior, adotando o conceito do ''“Round Square”'', tendência de estilo já adotada por veículos como o [[Kia Soul]] e o [[Scion xB]], esse último inexistente no Brasil. O objetivo dessa nova geração, que veio para conviver com a antiga, foi o de rejuvenescer o nome, tornar o carro mais atraente para o público jovem, dando a ele um apelo mais esportivo e juvenil, enquanto a geração antiga é mais focada nos consumidores racionais, que precisam de um robusto meio de transporte. A nova geração ainda permanece em linha e ganhou face-lift em 2014. <ref>http://g1.globo.com/carros/noticia/2014/09/fiat-uno-2015-parte-de-r-30990.html </ref>, além de ter dado origem a 3ª geração do [[Fiat Fiorino]] brasileiro. <ref> http://carplace.uol.com.br/volta-rapida-de-cara-nova-fiorino-2013-por-38540/ </ref>


== Versões ==
== Versões ==
O '''Uno''' está disponível em várias versões, todas em 3 e 5 portas.
O '''Uno''' está disponível em várias versões, em 3 e 5 portas:
 
'''Uno/Mille:'''
 
* Uno S
* Uno CS
* Uno CS Top
* Uno ELX
* Uno SX
* Uno 1.5 R
* Uno 1.6 R
* Uno Mille
* Mille Brio
* Uno Turbo i.e.
* Mille Eletronic
* EP
* EX
* Smart
* Mille i.e.
* Mille Fire
* Mille Economy
* Mille Way
* Grazie Mille


* Uno Economy 1.0;
'''Novo Uno:'''
* Uno Vivace 1.0 EVO;
 
* Uno Attractive 1.4 EVO (fabricado até 2012);
* Novo Uno Economy 1.0
* Uno Economy 1.4 EVO;
* Novo Uno Vivace 1.0 EVO
* Uno Way 1.0;
* Novo Uno Attractive 1.4 EVO (fabricado até 2012)
* Uno Way 1.0 EVO (em 2013 só 5p);
* Novo Uno Economy 1.4 EVO
* Uno Way 1.4 EVO (em 2013 só 5p);
* Novo Uno Way 1.0
* Uno SpoRting 1.4 EVO (em 2013 só 5p).
* Novo Uno Way 1.0 EVO (em 2013 só 5p)
* Novo Uno Way 1.4 EVO (em 2013 só 5p)
* Novo Uno Sporting 1.4 EVO (em 2013 só 5p)
* Novo Uno Evolution 1.4 Start-Stop
 
== Galeria ==
 
<gallery widths="180" heights="180">
Ficheiro:Fiat uno.jpg|Fiat Uno
Ficheiro:Innocenti Mille 1.0i.e..JPG|O Fiat Uno Mille também foi vendido na [[Europa]] como [[Innocenti]] [[Fiat Mille|Mille]]
Ficheiro:Fiat Uno grey.jpg|
Ficheiro:Fiat Uno II back.jpg|
Ficheiro:Fiat Uno CS front.jpg|Fiat Uno CS Brasileiro
Ficheiro:Fiat Uno SX red hl.jpg|Uno 60 SX Diesel (modelo não-disponível no brasil)
Ficheiro:Fiat Fiorino D pick-up front.JPG|[[Fiat Fiorino]], a picape do Uno.
Ficheiro:Fiat Fiorino Panorama 1.7D.jpg|[[Fiat Fiorino]], o furgão do Uno.
Ficheiro:Fiat Uno CSL front.jpg|Fiat Uno brasileiro
Ficheiro:Fiat Uno 45 5door Blue.JPG|Fiat Uno 45 (somente disponível na europa)
Ficheiro:Fiatduna.jpg| [[Fiat Prêmio|Fiat Prêmio/Duna]], o sedan do Uno
Ficheiro:Fiat elba.jpg| [[Fiat Elba|Fiat Elba/Duna Weekend]], a perua do Uno
Ficheiro:Fiat Uno 1.4 Vivace 2014 (14411914451).jpg|Novo Uno
</gallery>


{{referências}}
{{referências}}
* Revista Quatro Rodas - Abril de 1988 - Edição 333. Escort XR-3 X Uno 1.5R.
== Ligações externas ==
* [http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/passado/fiat/fiat-uno-a-grande-familia-e-seu-ultimo-rebento/ Best Cars - Fiat Uno: a grande família e seu último rebento]
* [http://carplace.uol.com.br/carros-para-sempre-uno-mille-a-historia-do-pioneiro-no-segmento-de-carros-1-0/ Carplace - Carros para sempre: Uno Mille, a história do precursor dos populares]
* [http://quatrorodas.abril.com.br/materia/fiat-uno-mille-o-carro-das-multidoes Quatro Rodas. Fiat Uno Mille: o carro das multidões]
* [http://carplace.uol.com.br/carros-para-sempre-pioneiro-uno-turbo-ja-tem-20-anos-de-historia/ Carplace. Carros para sempre: Pioneiro Uno Turbo já tem 20 anos de história]
* [http://quatrorodas.abril.com.br/materia/fiat-grazie-mille-774026 Quatro Rodas. FIAT GRAZIE MILLE: Série especial de despedida marca o fim do Uno de 1984]
* [http://quatrorodas.abril.com.br/noticias/grandes-brasileiros-fiat-uno-turbo/ Quatro Rodas. Grandes Brasileiros: Fiat Uno Turbo]
* [http://quatrorodas.abril.com.br/noticias/grandes-brasileiros-fiat-uno-mille-brio/ Quatro Rodas. Grandes Brasileiros: Fiat Uno Mille Brio]
* [https://www.flatout.com.br/uno-1-5r-1-6r-e-turbo-a-receita-da-preparacao-de-fabrica/ FlatOut. Uno 1.5R, 1.6R e Turbo: a receita da preparação de fábrica]
* [http://bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/video-historia-fiat-uno-premio-elba-curiosidades/ Best Cars. Fiat Uno: 10 curiosidades sobre a primeira geração] Publicado em 22/09/2017.
* [https://motor1.uol.com.br/features/242899/historia-fiat-uno-mille-fire/ Motor1.com: O primeiro Fiat Uno Mille Fire] Publicado em 24/05/2018.
==Ver também==
* [[Fiat Prêmio]]
* [[Fiat Elba]]
* [[Fiat Fiorino]]
* [[FIAT]]
{{Fiat}}
{{Fiat Brasil}}


{{Commonscat|Fiat Uno (2010)}}
{{Commonscat|Fiat Uno (2010)}}
[[Categoria:Veículos da Fiat|Uno]]
[[Categoria:Veículos da Fiat|Uno]]
[[Categoria:Automóveis de 1983]]

Edição atual desde as 14h25min de 24 de julho de 2018

Fiat Uno
Fiat Uno
Visão Geral
Nomes
alternativos
Fiat Mille
Produção Europa: 1983-1993
Brasil: 1ª geração 1984-2013
2ª geração 2010-presente
Fabricante Fiat, grupo Fiat Chrysler Automobiles
Matriz Itália Turim, Piemonte, Itália
Montagem Brasil Betim, Minas Gerais, Brasil
Modelo
Classe Compacto
Carroceria Hatchback
Designer Centro Estilo Fiat para América Latina
Centro Estilo Fiat da Itália
Ficha técnica
Motor Fire 1.0 Evo 8V Flex
Fire 1.4 Evo 8V Flex
Plataforma 1ª Geração (Brasil): derivado do Fiat 147
1ª Geração (Europa): Plataforma Tipo Uno
2ª Geração: Plataforma Economy. Ver: Fiat Panda
Transmissão 5 marchas, manual
Modelos relacionados Fiat Prêmio
Fiat Elba
Fiat Fiorino
Fiat 147
Chevrolet Chevette
Ford Fiesta
Renault Sandero
Fiat Palio
Volkswagen Gol
Renault Clio
Chevrolet Celta
Chevrolet Onix
Dimensões
Comprimento 3.770 mm
Entre-eixos 2.376 mm
Largura 1.656 mm
Altura 1.548 mm
Tanque 48 litros
Consumo Uno Mille Economy 1.0: ciclo urbano E 8,9km/l G 12,7km/l; ciclo rodoviário E 10,7km/l G 15,6km/l[1]
Uno Mille Way Economy 1.0: ciclo urbano E 8,4km/l G 12,1km/l; ciclo rodoviário E 9,5km/l G 13,6km/l[1]
Novo Uno Economy EVO 1.4: ciclo urbano E 8,7km/l G 12,5km/l; ciclo rodoviário E 10,4km/l G 15,2km/l[1]
Novo Uno Vivace EVO 1.0: ciclo urbano E 8,3km/l G 12,3km/l; ciclo rodoviário E 9,4km/l G 14,5km/l[1]
Novo Uno Attractive EVO 1.4: ciclo urbano E 7,3km/l G 10,6km/l; ciclo rodoviário E 9,1km/l G 13,3km/l.
Velocidade Máx. 149 km/h gasolina / 151 km/h etanol (Way 1.0)
170 km/h gasolina / 172 km/h álcool (Attractive)
170 km/h gasolina / 172 km/h etanol (Sporting 1.4)
151 km/h gasolina / 153 km/h álcool (Vivace)
165 km/h gasolina / 167 km/h álcool (Way 1.4)
Cronologia
Último
Brasil: Fiat 147
Europa: Fiat 127
Brasil: Fiat Palio (1ª geração)
2ª geração ainda em produção
Europa: Fiat Punto
Próximo


O Uno é um automóvel compacto fabricado pela Fiat, lançado na Europa em 1983. Foi lançado no Brasil no ano seguinte, e sua nova geração (projetada no Brasil) só foi lançada em 2010, direcionada aos países da América Latina. A versão antiga foi produzida até dezembro de 2013 sendo vendida como Fiat Mille, nome adotado inicialmente em 1990, quando adotou um motor com menos de 1000 cc no Brasil.

Criação

Necessário diante do envelhecimento de seu antecessor, lançado em 1971, o Uno chegava para combater a invasão japonesa em seu segmento de carros pequenos. O projeto começou no final dos anos 1970 com dois estudos, o 143 desenhado pela equipe de Pier Giorgio Tronville, do Centro Stile Fiat e o 144 pela Italdesign de Giorgio Giugiaro.

É um carro de conceito simples e moderno, com motor transversal, tração dianteira e suspensão McPherson com mola helicoidal à frente. Na traseira era usado eixo de torção, também com mola helicoidal. Eleito Carro do Ano na Europa por um juri de 53 jornalistas no mesmo ano de seu lançamento, logo ganhou novas versões. Já em maio vinha o motor a diesel de 1,3 litro e 45 cv; em outubro era apresentada a versão conceitual Uno-matic 70, com transmissão de variação contínua (CVT), que se tornaria disponível apenas em 1987 no Uno Selecta.

Em abril de 1985 nascia o Uno Turbo i.e., em que o motor de 1,3 litro (1.299 cm³, e que mais tarde seria trocado por um de 1.301 cm³) recebia turbocompressor e injeção eletrônica, gerando 105 cv. Foi oferecido com painel digital e freios a disco nas quatro rodas. Em junho aparecia o motor Fire, de produção totalmente automatizada, com 1,0 litro (999 cm³ e 45 cv) -- um parente do que agora existe no Brasil atualmente. No ano seguinte era lançado o Uno 70 Turbodiesel, com motor de 1.367 cm³ e acabamento externo similar ao do Turbo i.e. O diesel de aspiração natural era oferecido com 1,7 litro (1.697 cm³ e 58 cv).

Em 1987 o Turbo i.e. ganhava catalisador e, um ano depois, freios com sistema antitravamento (ABS em inglês: Anti-lock Braking System). Surgiu também um 75 i.e., com 1,5 litro (1.498 cm³, injeção e 75 cv). Em setembro de 1989 o Uno recebia ampla reestilização, com um capô em cunha acentuada, faróis de perfil mais baixo, tampa traseira mais saliente e arredondada e novas lanternas. O Cx baixava para 0,30 e o interior trazia painel mais moderno e ganhos em acabamento e qualidade de construção.

Os motores agora eram o antigo 903, os Fires de 1,0 litro e 1,1 litro (999 e 1.108 cm³ este de 56 cv), um 1,4 litro (1.372 de 71 cv) e o conhecido 1,5 litro (1.498 cm³). O Turbo i.e. passava a 1.372 cm³ e 118 cv e os diesels permaneciam, com a adição de um de aspiração natural de 1,9 litro (1.929 cm³ e 60 cv) no ano seguinte. Esse Uno teve numerosas versões e séries e peciais, como Suite (com bancos de couro e ar-condicionado), Hobby, Rap, Rap Up, Formula, Estivale, Cosy, Seaside, Targa e Brio. O mais rápido era o Turbo i.e. Racing, de 1992, com teto solar, bancos ajustáveis em altura, pneus 175/60 e aceleração de 0 a 100 km/h em 9sec, com velocidade maxima de 192,06 km/h.

A produção italiana do Uno foi encerrada em 1995, dois anos após o lançamento do Punto, com um total de 6.032.911 unidades fabricadas. Mas permanecia na Polônia, com motores de 999 cm³ (45 cv), 1.372 cm³ (69 cv) e diesel de 1.697 cm³, que se somaram em 2000 ao de 899 cm³ e apenas 39 cv. Também continuavam em produção o três-volumes Duna (Prêmio) na Argentina, com motor 1.297 de 72 cv, e o Uno no Brasil.

Mecânica

De início apenas com três portas, mantinha as linhas do modelo italiano, mas com uma importante diferença: o capô envolvia parte dos para-lamas, o que permitia a acomodação do estepe no compartimento do motor como no 147, de maneira a ampliar o porta-malas e evitar o incômodo de ter de descarregá-lo.

Por conta da localização do estepe, a entrada de ar para a cabine precisou ser deslocada do centro, como no original italiano, para a direita, em zona de menor pressão aerodinâmica. Assim, a geração interna acabou não sendo o forte da versão brasileira, devido à menor captação de ar. Mesmo assim o Uno representava enorme evolução sobre o retilíneo 147, a começar pela redução do Cx de 0,50 para apenas 0,36—pior que na Europa, pois o modelo brasileiro era 15 mm mais alto --, passando pelo conforto de rodagem, segurança ativa e passiva, visibilidade e posição de dirigir, em que o volante assumia posição mais "normal", menos horizontal. No entanto foi, de início, rejeitado por muitos, que lhe atribuíram o apelido de "botinha ortopédica" em função do formato da carroceria bem diferente do que existia até então. O limpador de para-brisa único, curioso já na época, permanece até hoje sem similares em carros nacionais.

O Nome Uno em evidência no carro, indicando que o carro é um modelo antes da reestilização em questão de nome e carroceria.

Outras alterações do projeto original, de ordem mecânica, previam melhor adaptação do carro às condições nacionais de rodagem, além do aproveitamento de componentes do 147. Deste vinham os motores de 1.048 cm³ a gasolina (52 cv, 7,8 m.kgf), para a versão S, e de 1.297 cm³ a gasolina (58,2 cv, 10 m.kgf) e a álcool (59,7 cv, 10 m.kgf), para as versões S e CS. Com desempenho razoável (velocidade máxima entre 130 e 140 km/h), tinham na economia de combustível seu destaque.

O Uno brasileiro também herdava de seu antecessor a suspensão traseira independente com feixe de molas transversal atendendo os dois lados da suspensão. A Fiat dizia ter constatado em testes que os amortecedores do italiano não duravam mais que 5.000 km sob uso intensivo, optando por trocar toda a suspensão. E foi ela a responsável pela mudança no capô que permitiu o estepe no compartimento do motor: não havia espaço para a roda-reserva e sua caixa sob o porta-malas, como entre os braços do eixo de torção do italiano.

Se com a nova suspensão o Uno ganhava em robustez, por outro lado perdia em conforto de marcha e continuava, como no 147, a exigir alinhamento periódico das rodas traseiras, sob pena de desgaste prematuro dos pneus e prejuízo à estabilidade. Outra característica desta suspensão era a tendência de tornar a cambagem mais negativa (rodas mais afastadas no ponto de contato com o solo) à medida que o feixe de molas cedia, por acréscimo de carga ou tempo de uso. Tudo isso seria abandonado no Palio, que passaria ao eixo de torção como no Uno italiano.

A produção do Uno trazia um avanço em relação à do 147. Em vez de 470 operações de prensa para construir a carroceria monobloco, agora eram apenas 270, redução expressiva que significava também menos soldas, aumentando a resistência do conjunto.

Fiat Uno

Primeira geração

Seu projeto começou a ser desenvolvido no final dos anos 1970, fruto de uma competição entre dois centros de estilo europeus, ganha finalmente pela Italdesign Giugiaro, do projetista Giorgetto Giugiaro. A versão definitiva do Uno foi lançada em 1983 na Europa, para substituir naquele continente o Fiat 127. No ano seguinte, o carro foi lançado no Brasil com o objetivo de suceder o Fiat 147, trazendo pequenas mudanças em relação ao modelo europeu, como novo capô devido à posição do estepe, o qual é localizado no porta-malas do europeu, disposição impossível no nacional devido ao conjunto de suspensão diferente na versão nacional.

Lançado inicialmente em 3 versões (S, CS e SX, a última com apelo mais esportivo), foi inicialmente rejeitado pelos consumidores tradicionais, que não aceitaram o fato do carro ser tão diferente do que era visto pelas ruas, e logo o veículo foi apelidado de “Botinha Ortopédica”. No Brasil o Uno serviu de base para uma família de veículos composta pelo sedan Prêmio, a perua Elba e Fiorino nas versões picape e furgão, sendo o último também vendido até hoje no Brasil, com carroceria baseada no Novo Uno.[2].

O início do sucesso do pequeno da Fiat, porém, só começaria em agosto de 1990, quando motores entre 800 a 1000 cm³ tiveram alíquota de IPI reduzida de 40% para 20% pelo governo, o que levou a marca a apresentar, em apenas 60 dias, a versão 1 L do carro, com uma versão do motor Fiasa produzida para exportação. Era o Fiat Mille, versão mais despojada do então modelo de entrada, a versão S, com motor um pouco mais fraco e, inicialmente, apenas com duas portas.[3]

Essa versão foi responsável pela popularização do automóvel. O Mille virava referência de mercado para os modelos populares.

Em 1992 surgem as versões S e CS 1.5ie, dotadas de injeção eletrônica digital monoponto. No caso do Mille, a Fiat lança a versão Electronic, utilizando somente a ignição mapeada, mas mantendo o carburado de corpo duplo da versão Brio.[4]

Em 1994, a primazia do turbo: primeiro carro nacional produzido em série com turbocompressor de fábrica, tinha motor italiano de 1.372 cm, radiador de ar e óleo, novo câmbio Termoli já lançado em outros modelos da linha Fiat, tinha 118cv e 17,5mkgf de torque. A Fiat oferecia curso de pilotagem aos proprietários.[4]

Previsto para sair de linha em 1996, sobreviveu à chegada do sucessor Palio, porém em versão única de entrada.

Em 2002 recebe o eficiente motor FIRE, aposentando o Fiasa.[5]

Em 2004 recebe um polêmico face-lift na dianteira e traseira, sendo alterados a tampa e as lanternas traseiras, além da dianteira, que não combinava com as linhas retilínias originais com seus novos faróis, lanternas e grade.[6]

Em 2008, a Fiat lança a versão Economy, com as novidades: quinta marcha mais longa, pneus de baixo atrito[7] e óleo menos viscoso, além de válvulas e bielas mais leves, molas de válvulas menos resistentes, novo coletor de escape e marcha-lenta reduzida de 850 para 750 rpm, além de geometria alterada na suspensão e econômetro no painel, contribuindo para redução de consumo de combustível.[8]

Grazie Mille

Com a obrigatoriedade do airbag duplo frontal e do sistema de freios antiblocantes (ABS) em 2014, a Fiat decide encerrar a carreira do Mille. Mesmo o modelo tendo recebido os acessórios nos modelos para exportação, a Fiat decide não mais investir em seu automóvel de entrada, e assim decide lançar uma versão de despedida, batizada de Grazie Mille ("Muito Obrigado", em italiano). O modelo conta com todos os opcionais disponíveis, painel exclusivo com conta-giros no lugar do econômetro, e numeração dos modelos fabricados.[9][10]

A criação do Novo Uno

Novo Uno

Em 2010, surgiu o Novo Uno. Uma geração totalmente nova que procurava ser uma releitura da geração anterior, adotando o conceito do “Round Square”, tendência de estilo já adotada por veículos como o Kia Soul e o Scion xB, esse último inexistente no Brasil. O objetivo dessa nova geração, que veio para conviver com a antiga, foi o de rejuvenescer o nome, tornar o carro mais atraente para o público jovem, dando a ele um apelo mais esportivo e juvenil, enquanto a geração antiga é mais focada nos consumidores racionais, que precisam de um robusto meio de transporte. A nova geração ainda permanece em linha e ganhou face-lift em 2014. [11], além de ter dado origem a 3ª geração do Fiat Fiorino brasileiro. [12]

Versões

O Uno está disponível em várias versões, em 3 e 5 portas:

Uno/Mille:

  • Uno S
  • Uno CS
  • Uno CS Top
  • Uno ELX
  • Uno SX
  • Uno 1.5 R
  • Uno 1.6 R
  • Uno Mille
  • Mille Brio
  • Uno Turbo i.e.
  • Mille Eletronic
  • EP
  • EX
  • Smart
  • Mille i.e.
  • Mille Fire
  • Mille Economy
  • Mille Way
  • Grazie Mille

Novo Uno:

  • Novo Uno Economy 1.0
  • Novo Uno Vivace 1.0 EVO
  • Novo Uno Attractive 1.4 EVO (fabricado até 2012)
  • Novo Uno Economy 1.4 EVO
  • Novo Uno Way 1.0
  • Novo Uno Way 1.0 EVO (em 2013 só 5p)
  • Novo Uno Way 1.4 EVO (em 2013 só 5p)
  • Novo Uno Sporting 1.4 EVO (em 2013 só 5p)
  • Novo Uno Evolution 1.4 Start-Stop

Galeria

Referências

  • Revista Quatro Rodas - Abril de 1988 - Edição 333. Escort XR-3 X Uno 1.5R.

Ligações externas

Ver também


Fiat — cronologia no Brasil, 1980-presente  
Classe 1980 1990 2000 2010
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3
Carro de entrada 147 Mille
Uno II
Hatch Compacto Spazio Uno Palio
Sedã Compacto Oggi Prêmio Siena
Grand Siena
Hatch Premiun Punto
Sedã Premiun Linea
Hatch Médio Tipo Brava Stilo Bravo II
Sedã Médio Tempra Marea
Station Wagon Compacto Panorama Elba Palio Weekend
Station Wagon Médio Tempra SW Marea Weekend
Minivan Idea
SUV Freemont
Pickup Fiorino I Pickup Fiorino II Pickup Strada
Veículo comercial ligeiro Fiorino I Fiorino II / Fiorino II Panorama
Doblò / Doblò Cargo
Ducato II
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Fiat Uno